Estudar nos Estados Unidos envolve muito mais do que escolher uma instituição e fazer a matrícula. Para quem pretende cursar um curso no país, há uma etapa específica que precisa ser compreendida: a solicitação do visto de estudante nos EUA.
E essa etapa não começa com o preenchimento do DS-160. Antes de chegar ao formulário, é preciso saber qual programa você vai frequentar, qual categoria de visto corresponde a esse programa e quais procedimentos acontecem depois da aceitação pela instituição.
Essa sequência é importante porque a categoria do visto não é escolhida livremente pelo estudante. Ela está relacionada ao tipo de programa e à instituição ou organização responsável por ele.
Por isso, antes de pensar nos documentos, nas taxas ou na entrevista, vale entender primeiro qual visto se aplica à sua situação e como o processo evolui a partir da escolha do programa de estudos.
Neste guia, você vai acompanhar essa trajetória desde a identificação da categoria de visto até as etapas que vêm depois da solicitação, incluindo documentos, comprovações, entrevista e possíveis resultados.

Qual visto de estudante se aplica ao seu caso?
O tipo de visto depende principalmente do programa de estudos que você pretende frequentar. Por isso, antes de iniciar a solicitação, é importante saber a qual categoria o curso e a instituição ou organização responsável pelo programa se enquadram.
Para estudantes internacionais, as categorias mais relevantes são F-1, M-1 e J-1, mas elas atendem a situações diferentes.
Visto F-1
O F-1 é destinado principalmente a estudantes matriculados em programas acadêmicos nos Estados Unidos. É a categoria normalmente associada a:
- graduação;
- pós-graduação;
- outros cursos acadêmicos;
- programas de inglês.
O F-1 também permite determinadas atividades de trabalho ou treinamento relacionadas aos estudos, desde que sejam autorizadas e cumpram os requisitos da categoria. Entre elas está o Optional Practical Training (OPT), que pode permitir trabalho temporário relacionado à área de estudo. Em determinadas formações STEM, ainda existe a possibilidade de extensão do período de OPT.
Portanto, ter um F-1 não significa ter autorização geral para trabalhar nos Estados Unidos. As atividades permitidas dependem das regras aplicáveis ao estudante e ao programa.
Visto M-1
O M-1 é destinado a estudantes matriculados em determinados programas vocacionais ou não acadêmicos.
A diferença em relação ao F-1 está principalmente na natureza do programa. Um curso acadêmico em uma universidade, por exemplo, normalmente está associado ao F-1, enquanto determinados programas de formação profissional podem se enquadrar no M-1.
As regras de permanência e de treinamento também são diferentes das aplicáveis ao F-1. Por isso, a categoria do visto deve ser definida de acordo com o programa, e não apenas pela preferência do estudante.
Visto J-1
O J-1 também pode estar relacionado a estudos, mas sua finalidade é diferente. Ele é utilizado em programas de intercâmbio aprovados, que podem incluir estudantes, pesquisadores, professores e outras categorias de participantes.
Nesse caso, o processo está vinculado ao programa de intercâmbio e à organização responsável por ele. Portanto, quem pretende estudar por meio de um programa desse tipo precisa verificar as regras específicas do J-1.
F-1, M-1 ou J-1: qual se aplica ao seu caso?
A categoria do visto não é uma escolha livre do estudante. Ela depende do programa que será realizado e da instituição ou organização responsável.
Nos casos de F-1 e M-1, a instituição autorizada emite o Formulário I-20 depois que o estudante é aceito no programa. Nos programas J-1, a documentação está vinculada ao programa de intercâmbio.
Por isso, antes de preencher o DS-160 ou pagar a taxa de solicitação, confirme com a instituição ou organização:
- qual categoria de visto corresponde ao programa;
- quais documentos serão emitidos;
- quais etapas devem ser cumpridas antes da solicitação.
Comparação rápida
| Característica | F-1 | M-1 | J-1 |
|---|---|---|---|
| Finalidade principal | Estudos acadêmicos | Estudos vocacionais ou não acadêmicos | Intercâmbio |
| Exemplos | Graduação, pós-graduação, inglês | Determinados cursos profissionais | Programas de intercâmbio |
| Documento principal | I-20 | I-20 | Documentação do programa |
| Trabalho/treinamento | Permitido apenas em situações previstas pelas regras | Regras próprias e mais restritas | Depende das regras do programa |
A partir dessa definição, o próximo passo é entender o que acontece depois que a instituição aceita o estudante e quais documentos passam a fazer parte do processo.
O que acontece depois que você é aceito por uma instituição?
Depois que você é aceito em um programa de estudos, a instituição inicia os procedimentos necessários para a sua matrícula como estudante internacional. Para os estudantes das categorias F-1 e M-1, isso inclui a emissão do Formulário I-20.
O I-20 reúne informações sobre o estudante e o programa, incluindo a instituição, o curso e o período previsto de estudos. Antes de seguir para as próximas etapas, confira se os dados estão corretos e entre em contato com a instituição caso encontre alguma divergência.
A instituição também orientará o estudante sobre os procedimentos relacionados ao SEVIS, sistema utilizado para registrar e acompanhar estudantes internacionais e participantes de determinados programas.
É importante entender que a aceitação pela instituição não significa que o visto foi aprovado. Ela permite que o estudante avance para a etapa de solicitação do visto, que ainda será analisada pelas autoridades consulares.
A partir daí, o estudante estará pronto para reunir os documentos e cumprir as demais etapas da solicitação.
O que você precisa preparar para solicitar o visto?
Com essa etapa concluída, começa a preparação da solicitação do visto. Para as categorias F-1 e M-1, o I-20, o registro no SEVIS e o formulário DS-160 fazem parte desse processo.
I-20: o documento emitido pela instituição
O Formulário I-20 reúne informações importantes sobre o estudante e o programa e será necessário nas etapas seguintes da solicitação.
Ao receber o I-20, confira se os dados estão corretos, especialmente:
- nome completo;
- instituição de ensino;
- programa ou curso;
- datas do programa;
- informações pessoais.
Se houver alguma divergência, entre em contato com a instituição antes de prosseguir. A correção deve ser feita pela própria instituição.
Guarde o I-20 com cuidado, pois ele será utilizado durante o processo e poderá ser solicitado posteriormente.
Taxa SEVIS
O SEVIS (Student and Exchange Visitor Information System) é o sistema utilizado pelo governo americano para acompanhar estudantes e participantes de determinados programas de intercâmbio.
Para os vistos F-1 e M-1, há uma taxa SEVIS, que é diferente da taxa de solicitação do visto. O valor deve ser confirmado na fonte oficial antes do pagamento, pois as taxas podem ser alteradas.
Depois do pagamento, guarde o comprovante junto aos demais documentos da solicitação.
Preenchimento do DS-160
O DS-160 é o formulário eletrônico utilizado para solicitar vistos de não imigrante para os Estados Unidos. O preenchimento é feito online e exige informações pessoais, acadêmicas, profissionais e relacionadas à viagem.
Antes de começar, tenha em mãos documentos e informações como:
- passaporte;
- histórico de viagens;
- informações sobre sua formação acadêmica;
- dados profissionais, quando aplicável;
- informações sobre o programa de estudos e a instituição.
Preencha o formulário com atenção e confira as informações antes de enviá-lo. Os dados apresentados no DS-160 devem ser coerentes com o I-20 e com as demais informações fornecidas durante o processo.
Após o envio, será gerada uma página de confirmação do DS-160. Guarde esse documento, pois ele será necessário nas etapas seguintes.
Quais taxas fazem parte do processo?
A taxa SEVIS e a taxa de solicitação do visto são cobranças diferentes. Portanto, o estudante precisa verificar, separadamente, os valores aplicáveis ao seu caso.
| Despesa | Para que serve |
|---|---|
| Taxa SEVIS | Registro no sistema SEVIS, quando aplicável |
| Taxa de solicitação do visto | Processamento do pedido de visto |
| Outras despesas | Podem existir conforme a situação do estudante |
Os valores e as formas de pagamento podem mudar. Por isso, antes de pagar, consulte as informações oficiais correspondentes à sua categoria de visto.
Uma boa organização nessa etapa é importante: mantenha o I-20, a confirmação do DS-160 e os comprovantes de pagamento reunidos em um mesmo local. Esses documentos serão necessários para dar continuidade ao processo.
O que pode ser necessário demonstrar durante a solicitação?
Além dos documentos básicos do processo, o funcionário consular pode solicitar informações adicionais para avaliar se o estudante atende aos requisitos do visto.
No caso dos vistos de estudante, isso pode envolver três aspectos principais: a preparação acadêmica, a capacidade de financiar os estudos e a intenção de deixar os Estados Unidos ao término do período autorizado.
Comprovação da situação do estudante
O consulado pode solicitar documentos que ajudem a compreender a situação acadêmica do solicitante, como históricos escolares, diplomas, certificados ou resultados de testes exigidos pela instituição.
Também pode ser necessário explicar por que aquele programa de estudos foi escolhido e como ele se relaciona com os planos do estudante.
Não existe um documento específico que, sozinho, determine a aprovação. A análise considera as circunstâncias apresentadas em cada solicitação.
Como demonstrar que os estudos podem ser financiados?
O estudante também precisa estar preparado para demonstrar como pretende pagar os custos do programa e da permanência nos Estados Unidos. O Departamento de Estado informa que podem ser solicitadas evidências sobre os recursos destinados às despesas educacionais, de moradia e de viagem.
Dependendo da situação, podem ser utilizados documentos financeiros do próprio estudante ou de quem irá custear seus estudos.
Entre os documentos que podem ajudar a demonstrar essa capacidade estão:
- extratos bancários;
- comprovantes de renda;
- documentos de bolsa de estudos;
- documentos que comprovem o apoio financeiro de outra pessoa ou organização, quando aplicável.
O importante é que os recursos apresentados sejam compatíveis com o planejamento informado para os estudos.
E a intenção de deixar os Estados Unidos?
Os vistos F-1 e M-1 são vistos de não imigrante. Por isso, o solicitante precisa demonstrar que se enquadra nessa categoria e que pretende deixar os Estados Unidos ao término do período autorizado.
Isso não significa simplesmente apresentar uma passagem de volta ou um único documento para “comprovar o retorno”. A análise considera a situação individual do solicitante.
O próprio Departamento de Estado explica que os vínculos com o país de residência podem variar de pessoa para pessoa. Emprego, moradia e relações familiares são exemplos de vínculos que podem fazer parte dessa análise.
Por isso, o mais importante é que as informações fornecidas no DS-160, os documentos apresentados e as respostas dadas na entrevista sejam verdadeiros e coerentes entre si.
Não existe um conjunto de documentos capaz de garantir a aprovação do visto. A decisão é individual e cabe ao funcionário consular responsável pela análise.
Como funciona a entrevista?
Quando exigida, a entrevista faz parte do processo de solicitação do visto e permite que o funcionário consular avalie as informações apresentadas pelo solicitante. Para o estudante, é importante conhecer bem o programa escolhido, a instituição de ensino e as informações fornecidas durante a solicitação.
Por isso, mais do que decorar respostas, o ideal é estar preparado para explicar sua situação de forma clara, objetiva e coerente com os documentos apresentados.

Quais documentos levar para a entrevista?
Os documentos exigidos podem variar conforme o caso e as orientações do posto consular. Para uma solicitação de visto de estudante, é importante ter organizados os documentos relacionados ao pedido, como:
- passaporte válido;
- página de confirmação do DS-160;
- Formulário I-20, para solicitações F-1 ou M-1;
- comprovante de pagamento da taxa SEVIS;
- comprovante de pagamento da taxa de solicitação do visto;
- comprovante de agendamento, quando aplicável;
- documentos relacionados ao programa de estudos;
- documentos financeiros e outras evidências que possam ser solicitadas.
A documentação adicional depende da situação de cada estudante. Por isso, não existe uma lista única que garanta a aprovação. O importante é verificar previamente as orientações oficiais e da instituição de ensino.
Que perguntas podem ser feitas?
As perguntas variam conforme cada solicitação. O funcionário consular pode perguntar sobre aspectos como:
- o curso e a instituição escolhidos;
- o motivo da escolha daquele programa;
- como os estudos serão financiados;
- os planos relacionados ao período de estudos.
As respostas devem ser verdadeiras, claras e compatíveis com as informações apresentadas no processo. Não é necessário decorar respostas ou tentar adivinhar o que o entrevistador deseja ouvir.
Conhecer o próprio projeto de estudos e conseguir explicá-lo com naturalidade é mais importante do que preparar respostas prontas.
A entrevista garante a aprovação do visto?
Não. A entrevista é apenas uma etapa do processo, e sua realização não significa que o visto será necessariamente emitido. A solicitação é analisada individualmente com base nas informações apresentadas e nas circunstâncias do caso.
O mais importante é estar preparado para explicar seu projeto de estudos e apresentar informações consistentes com a solicitação.
O que acontece depois da solicitação?
Depois de concluir as etapas necessárias e participar da entrevista, quando ela for exigida, a solicitação entra em análise. O resultado não é necessariamente imediato, e o prazo pode variar de acordo com o caso.
O acompanhamento pode ser feito pelo sistema oficial de consulta de status do U.S. Department of State. O pedido pode aparecer em diferentes situações durante o processamento.
Quais resultados podem ocorrer?
De forma geral, depois da análise, podem ocorrer três situações:
- Visto emitido: a solicitação foi aprovada e o passaporte seguirá para devolução conforme as instruções do posto responsável.
- Recusa: o visto não foi emitido. A documentação e as circunstâncias do caso determinam o que poderá ser feito posteriormente.
- Processamento administrativo: o pedido precisa passar por uma análise adicional antes que seja tomada uma decisão final.
O processamento administrativo não significa, por si só, que o visto foi recusado. Ele indica que a solicitação ainda está sendo analisada e pode envolver verificações ou a solicitação de informações adicionais.
E se forem solicitados documentos adicionais?
Se o consulado ou a embaixada solicitar documentos ou informações complementares, siga exatamente as orientações recebidas e envie o material pelo canal indicado.
Por isso, é importante manter organizados o DS-160, I-20, comprovantes de pagamento e demais documentos relacionados à solicitação. Ter esse material disponível facilita o atendimento caso alguma informação adicional seja necessária.
O acompanhamento deve continuar até que o processo seja concluído. Não considere o visto aprovado apenas porque a entrevista terminou: é necessário aguardar o resultado oficial da solicitação.
Conclusão
Solicitar o visto de estudante nos EUA envolve uma sequência de etapas que começa antes do preenchimento do DS-160. Primeiro, é preciso definir o programa de estudos e identificar a categoria de visto correspondente. Depois, vêm a aceitação pela instituição, a emissão do I-20 quando aplicável, o registro no SEVIS, o preenchimento do DS-160, o pagamento das taxas e a preparação para a entrevista.
Durante o processo, podem ser solicitadas informações adicionais sobre o programa de estudos, a capacidade de financiar a permanência nos Estados Unidos e a situação do estudante. Por isso, manter os documentos organizados e fornecer informações verdadeiras e coerentes é fundamental.
A aprovação não depende de uma fórmula ou de um conjunto específico de documentos. A solicitação é analisada individualmente, de acordo com as informações e circunstâncias apresentadas.
Se você está começando a planejar seus estudos, vale primeiro conhecer as opções de estudar nos EUA e os custos envolvidos. Depois de definir o programa, este guia pode ser usado para entender especificamente como funciona a etapa do visto.
Para entender como o visto de estudante se encaixa no contexto mais amplo da imigração nos EUA, veja também o guia sobre imigração, status migratório, residência permanente e cidadania.
FAQ
Qual é a diferença entre os vistos F-1 e M-1?
O F-1 é usado principalmente para programas acadêmicos e determinados programas de idiomas. O M-1 é destinado a determinados programas vocacionais ou não acadêmicos. A categoria depende do programa de estudos e da instituição responsável.
O visto J-1 também pode ser usado para estudar nos Estados Unidos?
Sim. O J-1 é utilizado em programas de intercâmbio aprovados, que podem incluir estudantes e outras categorias de participantes. As regras e a documentação são diferentes das aplicáveis aos vistos F-1 e M-1.
Quais documentos preciso apresentar para solicitar o visto de estudante?
Entre os principais documentos estão o passaporte, a confirmação do DS-160, o I-20 para solicitações F-1 ou M-1 e o comprovante de pagamento da taxa SEVIS. Dependendo do caso, podem ser solicitados documentos acadêmicos, financeiros ou outras informações.
O I-20 e o DS-160 são a mesma coisa?
Não. O I-20 é emitido pela instituição de ensino autorizada e contém informações sobre o estudante e seu programa. Já o DS-160 é o formulário eletrônico utilizado para solicitar o visto de não imigrante. Os dois fazem parte de etapas diferentes do processo.
Preciso comprovar que tenho dinheiro para estudar nos Estados Unidos?
Pode ser necessário apresentar informações que demonstrem como os custos do programa e da permanência nos Estados Unidos serão financiados. Os documentos podem incluir comprovantes de recursos próprios, bolsa de estudos ou apoio financeiro de outra pessoa ou organização, conforme a situação.
A entrevista garante a aprovação do visto?
Não. A entrevista é uma etapa da solicitação, mas a emissão do visto depende da análise individual do caso. O funcionário consular pode solicitar informações ou documentos adicionais antes de tomar uma decisão.
Como acompanho o andamento da solicitação?
Depois de cumprir as etapas da solicitação, o acompanhamento pode ser feito pelos canais oficiais indicados pelo U.S. Department of State e pelo posto consular responsável. O procedimento e as informações disponíveis podem variar conforme o caso.

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